Judiaria

Título: Judiaria
Autor: Odilon Ramos

Que judiaria guria,
Nós dois, se querendo tanto,
Tão pertos, e tão apartados,
O destino calavera
Fechou pra nós a porteira,
Deixando agente embretados,
Eu de cá, te cobiçando,
Tu de lá, zoio cumprido
E um sentimento doido
Apertando o coração !
Só o vento companheiro,
Serve, de nosso chasqueiro,
Traz suspiros de saudade,
Leva notas, de afeição.

De noite, quando solito
No meu rancho me arrincono,
E o pensamento vagueia,
Que nem cachorro sem dono...
Fareja a lembrança tua,
Uivando, olhando pra lua,
Que a saudade não tem sono.

Se mateando me distraio,
Acarinhando essa cuia,
Aredondada e pequena,
É como se acarinhasse,
A tua carinha morena,
Olho pra dentro do mate,
Entre água, erva, e espuma,
Lampeja a luz do lampião,
E os meus olhos, se perdendo,
Sabe o que é que eles estão vendo,
Teu zoinho pedichão.

E quando a franja do pala,
Por entre os dedos, tenteio,
Num descuidado passeio,
Finjindo, vaidade, e zelo,
Como um piazinho sonhando,
Eu brinco que estou brincando,
Com as sedas do teu cabelo.

Se no meu catre me atiro,
Pro meu descanso sozinho,
Me viro, viro, e reviro,
Pensando nos teus achegos,
E a maciez dos pelegos,
Parece que tem espinhos...

Peleio com os pensamentos,
Esporeio os sentimentos
Do coração aporreado,
E me queixo, apichornado,
Da madrugada que é fria,
Que judiaria guria,
Nós dois se querendo tanto,
Tão pertos, e tão apartados.

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